terça-feira, 13 de dezembro de 2011

E viveram felizes para sempre


Agora somos só eu, meus discos velhos e o cheiro da noite. Eu sei que devia ir a passos lentos, não tenho condicionamento físico e emocional que bastem para correr lado a lado com o meu desejo de mudança. Mas é que olhei uns textos velhos, um conjunto de fotografias em preto e branco. Não há mais nada. Não lembro dos dias doces. Só leio aquilo que você era pra mim e me sinto idiota. E me sinto perdida e me sinto exausta e me sinto leve e livre. E sensível. Como se eu soubesse do que estava por vir antes mesmo que viesse qualquer indício de um fim. Onze dias antes eu temi um dia acertar. Onze dias. Depois eu não quis perder você. Um dia depois você me perdeu, e não o contrário. Um dia depois eu me dei por conta de como foi generoso da sua parte ter me deixado ir. Sabe aquele pássaro que a Sylvia Plath falava e que eu li pra você naquele dia que chegou lá em casa à tarde? Então, o mesmo pássaro que batia fortemente as asas aqui dentro, finalmente saiu. E dessa vez, de verdade, eu estou em paz. Com crises de "como eu pude tentar tanto?", com a certeza de que eu não merecia ter suportado o que suportei. Com a convicção que citei uma vez, também por sua causa, ser a própria reencarnação de Adolf Hitler e estar pagando todos os seus pecados. Já paguei. Já doeu o que tinha de doer. Já foi a história mais masoquista e doente que eu vi na vida.  Passou.

Um comentário:

  1. há sempre algo de ingênuo nas pessoas as quais não mais amamos.

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