quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alguém me tira uma dúvida?

Qual a melhor forma de cometer suicídio?

a) Contratar alguém para matar você.
b) Tomar remédios tarja preta.
c) Tiro na cabeça, mermão.
d) Enforcamento no banho.
e) Se afogar na pia.
f) Algo mais sofisticado, como subir na torre da igreja, cortar os pulsos, escrever o motivo da morte com o sangue na parede, bater o sino três vezes e se jogar.

Quem tiver a resposta, por favor, me comunique. Mas o faça de preferência antes de o próximo sábado, dia três de outubro. Acho que é melhor me suicidar que morrer de um desgosto, não é verdade? rs

Sem mais.

terça-feira, 22 de setembro de 2009



Em homenagem ao meu querido peixe: Peixito (in memorian), e entrada de Adolf Peixoto, meu novo peixe, em minha vida.

Queria declarar aqui a falta que sinto do meu pequeno Peixito, eternamente no meu coração e memória, que mesmo após sua morte continua tendo um papel fundamental na minha formação e no ser humano que sou hoje.

Mas agora é hora de seguir adiante, e nenhuma forma melhor de o fazer do que comprar um novo peixe. Adolf Peixoto: SEJA MUITO BEM-VINDO À MINHA VIDA.

Sem mais, rs



domingo, 20 de setembro de 2009

Eu não gosto de romances. Nem de ler, nem muito menos de escrever. Não digo qualquer romance, mas sim aqueles melosos demais, cheio de drama demais, entende? Mas assim, numa aula de física, quando se tem tempo para pensar em tudo, menos daquilo que se vê no quadro, a gente apela para a primeira coisa que vier à cabeça. Enfim, vou deixar de arrodeios e pedir desculpa, antecipadamente, a todos aqueles que perderem seu precioso tempo lendo isso. Boa tarde!

_______________________

O dia em que a lua brilhou mais que o sol

Ela chorava sozinha havia muito tempo. Ele, por ironia do destino, também estava lá e também chorava sozinho há muito tempo. E, como que por coincidência, estavam lá, os dois. Só os dois, além do vazio, da escuridão. Chorando sozinhos há muito tempo.
Ele a ouviu gritar, se perguntava se realmente alguém gritara ali, ou se era fruto da imaginação. Não o era. Ele correu para o lado de onde ouvia a voz. Viu, realmente, que Ela estava ali, mas não conseguia entrar no cômodo.
Ficaram alguns minutos se entreolhando através do vidro da janela, tentavam ver os contornos um do outro, tendo em vista que estava escuro e a única luz que lá havia, era a luz da lua que entrava por uma brecha, onde um dia existiu uma telha. Era como se vissem além do externo. Já se conheciam, sem saber de onde, sem saber como, mas sentiam como se fosse verdade. Embora não tenham proferido uma palavra sequer.
Não exitou. Ele quebrou a janela e foi para onde ela estava, o lugar de onde vinha a luz. Se olharam por um longo espaço de tempo, até que ela o abraçou. Seus olhos encheram de lágrimas novamente. Dessa vez Ela quebrou o silêncio:
- Obrigada. Por estar aqui e por estar comigo.
Ele a abraçou mais fortemente, tinha o coração acelerado.
- Eu queria olhar as estrelas ao seu lado hoje.

Ela não disse mais nada, mas pensou em dizer que queria olhar as estrelas com ele não só naquela noite. Se conteve. Pouco depois o despertador tocou, era hora de acordar e ir pro trabalho. Não sabia se ria ou chorava, só sabia que tudo não passara de um sonho.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pra declarar minha saudade



"Fiz uma cançãoPra declarar minha saudade Do tempo em que a alegria dominou meu coração.Eu era bem felizMas desabou a tempestadeLevando um lindo sonho pelas águas da desilusão."



Interessante que vivemos em busca da felicidade, a pomos sempre em primeiro plano nas nossas vidas, sonhamos todas as noites que, um dia, tudo dará certo e mesmo assim, nem ao menos sabemos definí-la.
Não gosto de viver de incertezas, não gosto de incertezas (embora seja rodeada por elas a cada segundo) e afirmo, sem medo de estar errada, que desisti de ser ''feliz'' e que, sinceramente, tenho duvidado bastanta da existência da felicidade em si. Digo, da pura e plena, entendes? Daquela que quando a gente é criança (muitas vezes até quando se é adulto, rs) julga ter.
Mas isso abre margem pra um questionamento gigantesco, concorda? Como podemos nos afirmar pessoas felizes, se nem ao menos sabemos definir o que seria a felicidade? Otimismo? Não, não creio que seja o caso. Acho que BURRICE define melhor.
(O que é perceptível quando se observa o nível do intelecto de quem assume tal posição, há!)
Queria lapidar melhor esse meu lado, mas acho difícil. Assumo que as vezes minhas palavras soam de uma forma mais forte do que eu queria, mas não posso fazer nada. Essa é a minha opinião, porra! Felicidade pra mim é sinônimo de ilusão, e pronto! Acabou!
Lembro-me que já acreditei na mesma, depositei todas as minhas fichas nela. Vivi momentos que qualquer pessoa chamaria de ''felizes'', mas eu prefiro chamar de ''eufóricos'' (condiz mais com os fatos). Sou a prova viva de que é tudo coisa da nossa cabeça, estado de espírito etc.
Eu tinha tudo para ser consideravelmente feliz, e o que eu sou, afinal? Um verme. Uma adolescente de 17 anos, que acha que porque tem um nível de cultura mais evoluído do que os que a cercam, é alguém. Mas não sou, já reparei isso melhor do que deveria.
Queria declarar minha saudade mesmo, sabe? Morro de saudade do meu tempo de alienação, onde eu achava que era feliz, onde eu achava que era alguém. Jogo a humildade de lado, e assumo: Meu sonho era ser burra. (hahahaha)

Já imaginou como é fácil ser apenas mais uma criatura sem pensamento próprio, sem opinião formada, sem tempo para devaneios e filosofias mal-fundamentadas? É moleza, cara... Era o que eu precisava. Mas eis que cá estou, e diga-se de passagem, minha situação já é irreversível.
Acho o cúmulo da prepotência esse meu jeito, até quando eu quero expor o que realmente penso sobre mim, venho com essas máscaras, essas personagens que há tanto enceno maravilhosamente bem, eu não aguento mais isso, eu não me aguento mais. Eu queria parar, eu tenho que parar.
Não aguento, não mais.


Setembro, meu bom setembro.

Parece que, afinal, o meu mês dos dias gloriosos não mais existe. Pode ser que o tempo tenha mudado, que as coisas estejam mudando... Ou que eu tenha mudado, ou que eu esteja mudando.

Eu, um dia, cheguei a acreditar que a esperança me guiaria aos meus objetivos. Definitivamente: eu não sou a mesma.


"e aquele garoto, que iria mudar o mundo, MUDAR O MUNDO, agora assiste a tudo em cima do muro."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cheguei ao extremo da minha humildade ao te escrever isso, sua biscate. Não gosto de assumir que preciso das pessoas. Não quaisquer pessoas, mas de você, em especial. Porém, que a verdade seja dita: Te amo, irmã!

Lá vem ela, sorriso na alma e na cara. Morena do gingado forte, morena do gingado bom. Todos observam seus passos como quem assiste a uma peça. Até porque, só de olhar já se vê nela uma artista. Além de linda transmite uma positividade incrível a todos que a rodeiam.

Lá vem ela, toda animada. Até quando anda mal, está bem. Vê o lado bom das coisas. Um tipo de pessoa que não se encontra hoje em dia tão facilmente. Dona de uma ingenuidade bela, mesmo em meio à malícia a qual a moça é dona.

Lá vem ela, e cá estou eu. Esperando a morena chegar para animar ainda mais meus dias. A paz, o cais, o meu cais. Minha amiga, minha irmã. Minha Criatura Indispensável. Sem ela nada sou.

Lá vem ela, eu fico só a observar. És dona de minha admiração e do meu afeto. Acima de tudo quero sempre sua presença. Meu lado otimista, meu braço direito. A ti, eternamente serei grata.

Mas só pra encerrar: Morena, vem comigo, vamos sambar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A história a seguir eu escrevi numa noite nada interessante e feliz, foi uma das primeiras coisas que pus no papel. Espero que desconsiderem a forma infantil cujo o tema foi abordado, mas foi a melhor forma de expor o que sentia no momento que eu tive. Infelizmente, minha mente não condiz muito com o que eu escrevi. Mas de qualquer forma, aí está. Sem mais.
____________________________________
Não tão distante assim.
- Boa noite, Vovó. – disse a pequena Beatriz ao entrar na sala.
- Boa noite, Bia! – sorri.
- Qual história a senhora vai me contar hoje? – perguntava, entusiasmada, a garota.
- Hum.. a de hoje é interessante, hein? Sobre uma coisa que existia quando eu tinha a sua idade, mas infelizmente, hoje não existe mais. – suspirei tristemente.
- E que coisa seria essa? Algo ruim?
- Não, minha querida... Não. Coisa boa, muito boa, por sinal. Mas não conheci tanto disso, quando eu nasci, já estava acabando, vinham as últimas remessas. Mas ainda deu tempo de eu sentir um pouco, de eu saber um pouco, até de eu guardar um pouco. – disse nostálgica.
- Qual o nome dessa ‘coisa’ ? – a menina parecia assustada.
- Amor. – eu disse, enfim.
- Amor? Esse nome não soa bem... Alguma coisa me diz que a senhora mentiu quando falou que era coisa boa. Isso é... estranho! No mínimo! Do que se trata essa palavra?
- Não me espanto em você o desconhecer. Hoje em dia ele não anda mais à solta por aí. As pessoas, no meu tempo, trataram de destruí-lo, aos poucos, e por culpa disso, a geração de vocês desconhece o termo.
- Ah, não sei não, viu? Ficastes estranha ao tocar nesse nome.
- O amor era um sentimento. Mas sentimentos como ele não são mais vistos já faz um bom tempo.
- Sentimentos eu sei o que são... Tristeza, raiva, melancolia... É isso, né?
- Mas esses são só os sentimentos ruins, o amor não era um deles. Ao contrário. É difícil, ou melhor, impossível te explicar ao certo o que seria. Era um sentimento de afeto que antigamente as pessoas desenvolviam por algo, ou alguém. Um gostar, sabe?
- Vovó, não use esses termos. Eu os desconheço. Afeto? Gostar?
- Minha querida, afeto é quando você sente um carinho por uma pessoa, uma vontade de estar ao seu lado, fica bem em sentir sua presença. Gostar é mais ou menos isso também.
- Nossa, que coisa estranha! Deve ser ruim isso de você querer estar sempre perto dos outros. Que nojo! Invasão de privacidade até, eu diria. Eu acho que não sinto isso por ninguém, não. Ainda bem.
- É. Também não me espanto de você achar isso. As coisas mudaram, e realmente não é nada normal se gostar de alguém hoje em dia. Eu antes gostava, sentia afeto, e até amor, pelas pessoas. Mas hoje em dia a maioria delas me assustam.
- Hum hum – a menina parou, e pensou – Mas vovó, me explica direito o que é o amor, eu ainda não entendi.
- Bom... Antigamente, também existia uma coisa chamada amizade.
- Ai ai, lá vem você com esses nomes estranhos de novo, pára com isso! – interrompeu a garota – O que seria ‘amizade’ ?
- Amizade, assim como amor, não é um termo que dê para ser explicado. É como um afeto também. As pessoas que a mantinham entre si, eram chamadas de ‘amigos’. – eu ri brevemente – Quanto tempo que eu não pronunciava essa palavra.. Amigo.
- Eu não to entendendo mais nada! – disse freneticamente.
- Eu tinha uma amiga, querida... Uma não, duas. Nós sempre estávamos juntas, gostávamos de estar juntas, riamos bastante, dançávamos, gritávamos, pulávamos... Era tudo tão diferente das coisas de hoje em dia. Naquele tempo, as pessoas tinham muitos amigos. Nós éramos, de certo modo, já uma exceção, por sermos poucas. Eu conheci gente, que chegava a ter até 10 amigos, dá pra acreditar?
- Que horror! Eu acho que eu não tenho nenhum amigo, nem quero ter. Que coisa mais chata isso de ‘grudar’ nos outros. Eu, hein!
- Não fique assim, nem diga isso. Hoje em dia a amizade também se extinguiu. Há uma década mais ou menos, foram embora os últimos esboços de amizade que ainda pairavam pela terra. Meus amigos morreram. Minha família, pela qual eu também tinha um grande amor, também morreu. Eu só tenho você, e seu pai. Vocês são minha família agora. E eu creio, que por ser a mulher mais velha do planeta, eu seja a única que ainda ame. Pois eu amo vocês.
- Vovó, acho que a senhora ta velha mesmo. Isso de amor, amizade. Que coisa mais esquisita. Acho que você está enlouquecendo. Vou falar com o papai pra te colocar num asilo, lá eles vão te medicar, e cuidar de você até o dia da sua morte.
- Faça o que bem entender, minha querida. Eu não faço mais questão de estar viva, de todo modo. Melhor seria se morresse, infelizmente cá estou. Mas antes, permita-me continuar a história.
- Certo. Termine-a, então.
- Bem, é uma história que aconteceu comigo. Eu tinha um pai, uma mãe, um irmão, duas avós, um avô, tios, tias, primos, minhas duas amigas, e minha quase mãe. – eu novamente ri, ao lembrar do passado como quem lembrava de um sonho bom.
- Hum... Quanta gente! Prossiga.
- Eu os amava, os amava muito. Gostava do cheiro, do riso, da brincadeira. Tanta coisa entre si. Embora brigássemos, sempre continuávamos juntos. Era engraçado, eu não os conseguia odiar, por mais que eles me estressassem.
- Ódio eu sei o que é, eu odeio algumas pessoas, principalmente as da minha escola, odeio todas elas, são todas estúpidas. Estresse eu também conheço, é aquilo que o papai sempre tem, e chega em casa brigando comigo.
- Isso, exatamente isso. Mas deixe-me continuar. Eu amava essas pessoas, amava bastante. Naquele tempo já era difícil se amar alguém, mas eu ainda sentia esse carinho gigante. Saudade, tudo mais.
- Saudade eu também sei o que é. Sinto saudade do meu dinheiro quando ele acaba. – ela disse orgulhosamente.
- Os valores mudaram. –prossegui- Antes as pessoas gostavam de pessoas, e hoje as pessoas gostam de coisas. Tudo se inverteu, antes as coisas só serviam para serem usadas. Nada além. Eu lembro-me do dia em que eu chorei, e meus amigos me ajudaram, seguraram minha mão, e me abraçaram. Faz tanto tempo que eu não abraço alguém. Desde que eles se foram...
- Vovó, sua história ta me cansando. Que coisa mais utópica. Melhor acabar logo com isso. A senhora enlouqueceu de vez.
Então, minha pequena Beatriz, pegou o telefone, e ligou para seu pai. Ouvi quando disse-lhe para mandar o pessoal da clínica vir me buscar, que eu tinha tido uma crise novamente, e que ela não mais agüentava isso em mim. Estava na hora de despedir-se, e me mandar embora de uma vez por todas.
Ouvindo isso, juntei o resto das forças que me restavam. Fui até o banheiro, tomei todas aquelas pílulas, que eles passavam para eu me acalmar, de uma só vez. E esperei o momento chegar, imersa em minhas lembranças de um passado quase perfeito. Finalmente ela chegou, depois de tanta espera, aos meus 75 anos finalmente eu faleci. Depois de ter visto partir todos os meus entes, e amigos e queridos. Morri sozinha. Morreu comigo o amor, a última dose desse que havia na terra.
Não fiz falta. Meu único filho e minha única neta, apenas, compareceram ao meu funeral. Nada de lágrimas, nada de remorso, nada de boas recordações. Assim as coisas tinham de ser. Acabou.

Cácio Roberto Filho
(só pra guardar em algum lugar.)

Pombal, 13 de julho de 2009.
A primeiro ver, pode até parecer uma data qualquer, mas não é o caso. Hoje, seu aniversário de 18 anos de idade, é acima de tudo um orgulho pra mim. Por saber que após quatro anos de amizade, mais uma vez nos encontramos verdadeiramente amigos num dia tão especial como esse.
Por saber também, que por mais que os anos passem, que as coisas mudem, isso já se tornou uma constante nossa, e mesmo nós não conversando todos os dias, e não tendo mais aquela proximidade que a gente tinha quando era mais jovem, nós continuamos os mesmos um com o outro.
Também fico feliz por saber a sinceridade e reciprocidade disso tudo. Mesmo com todos os nossos pontos de discordância (hahaha), nós sempre nos demos extremamente bem. Você é uma das pessoas que tem as opiniões mais opostas a mim, e mesmo assim, é uma das que eu mais considero, mais gosto de estar perto, e mais gosto de conversar.
Você tem um futuro promissor, eu não tenho dúvidas quanto a isso. Cheio de sucesso, felicidade e glórias alcançadas. Eu sempre torcerei por você. Quando eu digo sempre, é sempre MESMO.
Próximo ano nós tomaremos rumos diferentes, e manter contato se tornará cada vez mais difícil. Mas saiba que eu não quero me afastar de você de forma alguma, e mesmo que passemos meses sem nos ver, eu tenho a certeza de que vai ser sempre a mesma coisa, sempre aquele terraço, Hitler e Juscelino Kubitschek, e uma noite de risos e de argumentos contrários, rs.

Eu vou te considerar sempre como hoje, ontem, antes de ontem, e também como há 4 anos atrás. Porque você continua sendo um dos meus melhores e mais amados amigos. Meu esquerdista favorito. Meu futuro prefeito de Pombal, que sá presidente de Brasil. E por último, mas não menos importante: Meu quase pai ;)

Amo muito você. E que agora, na sua maioridade, você conquiste ainda mais maturidade para lidar com as vitórias e com os tropeços que a vida nos oferece. Agradeço por você ter aparecido na minha vida, e não ter deixado de fazer parte dela. Vou te levar sempre no coração, vá aonde for.


Vanessa Isis.

sábado, 5 de setembro de 2009

É

Um prato, um batido de talheres, uma discussão... Logo após: um choro. Um choro baixo, quase imperceptível. São oito e meia da noite, eu acabei de voltar do jantar... Não tive ânimo o bastante para terminá-lo. Tristeza e melancolia.

Depois, ela sai da mesa, cabisbaixa, calada. E eu, perco completamente a fome. Ele faz um comentário: “se eu já tivesse morrido, seria mais feliz agora.” Eu continuo em silêncio, prefiro só ouvir. Não tomar partido sempre é melhor, ou quase sempre.

O que é sempre a mesma coisa, é aquela seqüência estúpida de “se isso, se aquilo”. É cansativo, ou melhor: exaustivo. Eu ouço, apenas ouço. Negócios, lojas, fábricas, fazendas, será que realmente nos levaram a algum lugar? Eu queria ajudar a chegar a uma solução, mas minha opinião não vale de muita coisa aqui, se é que você me entende.

Então eu entro, vou pro meu quarto, ligo o computador. Pego alguma coisa para ler, mas a mente fica muito longe nessas horas. Ouço uma música, tento tirar da cabeça a imagem da lágrima dela, dos olhos apavorados, dos olhos de quem não é feliz.

Acabo lembrando a expressão de raiva que ele faz, aquela prepotência e arrogância. Ele acha que ele é o sabe-tudo e que ninguém é páreo para ele. As coisas não são assim, só ele não nota, mas elas não funcionam dessa forma, e ele não é o centro do universo.

Eu fico imaginando o que passa na cabeça de cada um. Meu irmão é apenas uma criança, e fica calado, assistindo a tudo. Eu o acompanho nessa divertida programação.

Parece que cada um reage de um jeito, pensa de um jeito. Mas no final de tudo, todos se sentem da mesma forma: infelizes. Um sorriso sincero não é uma coisa tão comum assim, afinal.

O olhar fica longe, perdido. Pairando, procurando algum ponto fixo para se olhar, de uma forma que não incomode os outros, mas é difícil e complicado. Só entende quem vive.

Enfim, eu pego minha bolsa. Sempre tem remédios bons por lá. Eu tomo alguns, dor-de-cabeça, geralmente. Quanto maior a briga, maior a dosagem. E assim vou vivendo, quem sabe um dia eu tome a quantidade necessária.

“Eis um fato: você vai morrer.” – Markus Zusac

OS RATOS

__________________________

Um dia

Amanheceu, não fazia sol. Era uma quinta-feira igual a tantas outras. Na noite anterior sonhara com ratos, muitos ratos, por toda parte, ratos.

Ela não estava feliz, ela nunca estava feliz. E este dia não tinha nada em especial para que ela conseguisse mudar o seu estado de espírito, humor, ou como prefira chamar. Só os ratos.

Acordou cedo, continuava cansada. Costumava dizer que tinha muito sono, mas não creio que fosse o caso. Pelo contrário, creio que sofresse de insônia há muito tempo, o que era visível em suas olheiras cada vez mais extensas e profundas. Ela andava abatida, ninguém reparara até agora, mas ela não estava bem. Acho que “bem” ela nunca estava, seria muita generosidade referir-se a ela como “bem”, de uma forma ou outra ela não estaria bem, enfim. Ela não estava normal. Assim enquadra-se melhor à situação.

Não sabia por que, mas chorava. Chorava muito, chorava descontroladamente. Quando pensava que finalmente suas lágrimas haviam secado, era como se ressurgissem, tudo isso de uma forma espantosa.

Acabou a manhã. Acabou-se ela.

___________________________

Um diálogo

Vestiu-se e saiu. Perdida dentro de si mesma. Completamente alheia aos acontecimentos, completamente alheia ao que ocorria ao seu redor, completamente alheia a qualquer fato que se sucedesse enquanto ela estava ali, calada, ao lado de muitos, mas sozinha. Completamente sozinha.

Ela saiu, ela trancou-se, ela chorou mais uma vez. Não sabia o motivo, só lembrava dos ratos, lembrava dos ratos e chorava.

Não se continha, queria gritar, não podia. Queria chorar, então chorava mais uma vez. Levantava a cabeça, lavava o rosto. Queria apenas encontrar uma explicação plausível para o seu choro, além dos ratos. Estes não bastavam pra fazer dela uma pessoa tão infeliz. Infeliz e chorosa.

Resolveu sair do cubículo de que se encontrava, não acreditava que houvesse alguém fora dali, mas ao sair percebeu que havia.

- Por que você está chorando?

- Eu não estou chorando.

- Sim, você está chorando. Agora me diga: Por quê?

- Ninguém está chorando.

- Seus olhos estão encharcados, seu rosto vermelho, e a melancolia é perceptível até mesmo em sua voz.

- Ninguém está chorando.

Uma longa pausa se seguiu. Elas ficaram uma observando a outra, cada gesto, cada detalhe. As mãos dela batiam uma na outra como forma de apaziguar seu coração. Cada vez mais freqüente, assim como as pancadas que sentia na sua cabeça. Ah, sua cabeça. Nem reparara antes como estava doendo e doendo e doendo, e os minutos passavam enquanto as duas se encontravam ali, em silêncio. Chorando, ambas chorando.

- Por favor, me diga o motivo de você estar triste!

- Conte-me de você.

- Eu choro por ver você assim.

- Os ratos estão por todos os lados, basta apenas você abrir os olhos para eles. Não chore por mim, chore pelos ratos.

- Eu não te entendo, me explique, por favor, o motivo de você chorar.

- Eu não choro, ninguém chora aqui. Além de você, claro.

- Como você diz que aqui ninguém chora?

- Eu nunca citei ser alguém.

Eu, tu, ele.

É noite, inverno, lua minguante, e eu estou só. Definitivamente, não seria o momento ideal para encher uma página de belas palavras otimistas, e eu também não o pretendo. Estou um pouco confusa. Os dias têm passado cada vez mais lentamente. Segundos têm se tornado minutos inteiros, enquanto eu, imersa em devaneios idiotas, tenho me curado dessa doença infernal.

A morte tem um apreço muito grande a mim, ela sempre vem, dá aquele bom e velho ‘oi’ e simplesmente vai embora, me vira as costas e sai. Interessante que tantas pessoas no mundo fariam de tudo para se verem curadas de uma doença qualquer, e eu acho tão ruim ficar boa, afinal. Queria tanto que fosse a última. Os últimos momentos, últimos minutos. Eu queria ir embora, tu querias ir embora? Ele queria ir embora.

Ah... Eu, tu, ele, tantas outras pessoas. Mas tu e ele sempre presentes, e eu. Eu tenho pensado bastante no ele, entende? Não, obviamente não entendes, eu não estou sendo nem clara, nem objetiva o bastante. Mas o ele, o tu. Eu não queria que ele me visse nesse estado. Não queria que ele soubesse que eu tenho tido insônia, embora eu tenha. Não queria que ele soubesse que eu andava bebendo às escondidas, embora eu andasse. Não queria que ele soubesse que eu realmente sou assim, que eu realmente tenho sido eu, mas essa sou eu.

Eu me viro, tu se viras, ele se vira. Eu sempre vou dar meu jeito. Sempre tenho uma carta na manga, sempre consigo sair de qualquer saia-justa sem precisar de ninguém. Mas aí tu viraste para mim com aquela cara de quem queria saber, entender. Logo após vem ele, que vira pra mim e mostra que não só queria saber nem entender, mas que sabe. Sabe e o entende da melhor forma possível. Talvez até melhor que eu.

Eu sei, eu sei... Continuo não sendo clara o bastante. Mas é que as palavras têm fugido de mim, também. Eu continuo perdida. Talvez mais que antes, até. Eu não entendo, tu não entendes, ele entende.

Acho que meu problema maior seja o autoconhecimento, antes dele eu era uma pessoa mais feliz. Até porque, antes dele eu acreditava na felicidade com ela é, de fato. Hoje em dia eu me conheço o bastante para saber que jamais serei feliz. Eu conheço, tu não conheces, ele conhece.

Uma mesa, uma folha de papel que já foi rabiscado antes, uma caneta com a tinta quase no fim, um cinzeiro que há muito devia ser limpo, uma carteira de cigarros vazia, uma xícara onde antes havia um café preto, amargo e sem açúcar, eu, ele e a solidão. Uma seqüência estúpida e mesquinha. Previsível quando a pessoa em questão sou eu. Mas não quando és tu, nem quando é ele que se faz presente.

Nada faz muito sentido. Não estou bem. Não estou mal. Estou pairando, oscilando, andando e rabiscando de um lado para outro, num quarto empoeirado onde não reconheço mais as coisas, embora sejam as mesmas, e continuem no mesmo lugar de sempre. Ou não, ou talvez não tão sempre assim.

Tenho pensado em mim com uma freqüência maior cada momento. Conhecer-me não é lá tão bom assim. Conhecer o ele. Já estava na hora de tu saberes que o ‘’ele’’ era o outro ‘’eu’’, embora creia que tu és inteligente o bastante para ter percebido isso sozinho. Eu sempre mudo de assunto, queria seguir a mesma linha de raciocínio, mas foge de mim, não é intencional. Prosseguindo, eu tenho pensado bastante nele. Cheguei à nova conclusão de que ele é o Senhor Infeliz Para Sempre, ou talvez fique melhor só Infeliz Para Sempre, ou Para Sempre, ou Sempre, ou.

Arrogância, prepotência, insegurança reprimida, e orgulho inabalável. Será que isso realmente me leva a algum lugar? Veja que eu estou perdida mais uma vez. Mas voltando, eu quero me situar, tu já estás situado, ele anda se situando. Tudo cansativo e repetitivo, mas foi nisso que eu me tornei, eis aqui o meu reflexo.

Eu não sei a que ponto eu quero chegar. O que quero finalizar, ou até mesmo se quero finalizar. Tu me entendes agora? Ele não está entendendo, e isso tem me deixado muito mais confusa ainda. Me deixe. Me deixe tu, me deixe ele, eu me deixarei também.

O DIA E A NOITE

O dia... Ah, o dia. O sol, o céu, a claridade. O sopro do vento, a brisa breve. O cantar, o estar, o passar. Passar das horas que quase não passam.

Então chega a noite: Linda, sombria, e misteriosa. Os instintos, quase extintos, aparecem. A necessidade de alguém, de ter alguém.

Acabo adormecendo, imersa no desejo, na vontade. E principalmente na esperança de mudar. Melhorar, inovar.

É manhã mais uma vez. Tudo está igual, nada mudou, melhorou, ou inovou. A realidade mais uma vez se faz presente, mas que seja doce. *

(que seja doce* termo utilizado por Caio Fernando Abreu)

Anoitece mais um vez. Percebo que não é tão ruim, afinal. A solidão que a escuridão trás consigo não assusta, não machuca. Minhas duas metades chegam a um consenso: o dia deprime, a noite cura.