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domingo, 1 de julho de 2012

He left no time to regret

Completamente perdida. Duas palavras formando um significado que definia com exatidão os últimos dias da menina. Não sabia para que lado andar, se é que devia andar. Não sabia se devia permanecer ali, inerte, por mais que doesse a angústia da espera. E se as coisas não mudassem sozinhas? E se precisasse mesmo de alguma conduta ativa para que tudo voltasse aos trilhos? Só o movimento de rotação da terra não parecia ser suficientemente forte para fazer tudo voltar ao lugar. Ela não parecia, inclusive, ser suficientemente forte pra tomar alguma decisão relevante. O tempo havia se arrastado de uma forma que seu desgaste físico e emocional era notório. Fazia com que se lembrasse de um poema que havia lido pouco antes de ter agido com inconsequência o bastante para fazer tudo desandar. Sylvia Plath, como de praxe: 
"What did my fingers do before they held him? What did my heart do, with its love?"
E agora era tudo diferente... Agora tinha que lutar para reconquistar cada espaço que se fazia vago, cada vírgula da história que ainda deveria ser escrita. Queria encontrar canetas. Mas o outro parecia escondê-las. Luísa estava incerta, incoerente, buscando as suas antigas dúvidas enlouquecidamente. Tudo fugia. O chão sumia, o ar parecia mais denso. Era uma sensação inédita e frustrante. O pior ainda era saber que não havia próximo passo a ser dado, a não ser dar ao relógio oportunidade de girar seus ponteiros.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Would you still love me tomorrow?

Por favor, não leve a mal. 
Eu só quero que você me queira, não leve a mal.


- Você ainda me ama?


- Você sabe.
- Não venha discutir comigo o que eu sei ou não, responda a minha pergunta.
- Isso não foi uma tentativa de discussão, só não quis repetir algo óbvio.
- Acho que o óbvio é que você não me ama mais.
- Você sabe que não.
- Já falei que eu sei o que sei. Você quis dizer que não me ama ou que não é óbvio que não me ama?
- O que?
- É?
- É o que?
- É isso mesmo. Simples e prático: Você ainda me ama ou não.
- Amo. Claro.
- Não, não é claro.
- Claro que é claro.
- Se fosse verdade, seria algo óbvio.
- É algo óbvio.
- Não, não é! Se fosse óbvio, eu não teria dúvidas.
- Você não tem motivos para dúvidas.
- Você não conhece o meu universo.
- Então me deixe conhecer.
(...)
- Não é assim, amor.
- O que há de errado nisso?
- Justamente isso.
- Não é assim o amor.
- Exatamente isso.
- Isso o que?
- Você.
- Eu que estou errado?
- Não, é, sei lá.
- Você quer me culpar.
- Não.
- Eu não perguntei, afirmei.
- É justamente isso.
- Não agüento mais.
- Por que você é assim?
- Você quer que eu mude?
- Não dá mais.
- É o fim?
- Não. Falei que não dava mais para mudar.
- Por que não daria?
- Porque a gente é assim, porque é tarde demais.
- Nunca é tarde demais.
- Agora é.
(...)
- Me beija?
- Não.
(...)
- Pára com isso, Paulo!
- Parar com o que?
- Com essa ânsia de tentar resolver as coisas assim.
- Assim como?
- Com um beijo.
- O que há de errado em eu querer te beijar?
- O errado não é você querer me beijar, é você querer que um beijo resolva toda uma crise.
- Eu só quis ser carinhoso.
- Esse é o problema.
- Eu sou o problema?
- Não, você é o erro.
- Como assim?
- Você é o meu erro, eu devia saber que não era certo.
- Você não gosta mais de mim.
- Eu te amo.
- Não é o que parece.
- É a verdade.
- Nós dois sabemos que não é.
- Eu te amo.
- Pára com isso, Ananda!
- Com o que?
- Um “eu te amo” não resolve nada.
- Foi sincero.
- Meu beijo também era.
- Vai ser assim agora?
- Assim como?
- Vamos ficar medindo forças até o amanhecer?
- Até você achar que devemos.
(...)
- É isso.
- Isso o que?
- Sempre vai ser minha culpa, cada minuto de briga vai ser minha culpa.
- Hã?
- Por que você não põe um ponto final nisso de uma vez?
- Na briga ou na gente?
- No que você preferir.
- Não é assim.
- E como é então?
- Essa não é uma decisão que eu deva tomar sozinho.
(...)
- Vá embora.
- O que?
- Cansei.
- De mim?
- Disso tudo. Cansei.
- Então era isso.
- Você esteve esse tempo todo esperando a oportunidade de falar que não me ama.
- Eu te amo.
- Então por que tu me mandas embora?
- Porque eu cansei de sofrer com você, por você.
- Sem mim e por outrem é melhor opção?
- Poupe-me.
- Vá embora.
- Essa casa é minha.
- Essa casa é nossa.
- Vá embora, por favor.
- Vamos juntos.
- Não, já chega!
- Eu não vou a lugar nenhum sem você.
- Você vai sair dessa casa agora e não vai mais aparecer na minha frente.
- Eu saio ao seu lado. Só assim.
- Então fica, amor.
- Você quer que eu vá ou que eu fique?
- Eu quero que você me ame.
- Eu te amo, porra!
- Assim?
- Hã?
- Esse é todo o seu amor?
- Todo o meu amor é seu.
- Foi meu?
- É seu.
- Eu não quero mais o seu amor falso.
- Eu não quero mais ter que agüentar isso.
(...)
- Me dá um beijo.
- Certo.
(...)
- Você ainda me ama?
- Isso é algo que não muda.
- Ama ou não?
- Amo. Sempre.
- Melhor assim.