Dia desses eu parei para refletir sobre essa minha mania feia, de só falar o que deve ser dito em última instância e que, infelizmente, eu não consigo mudar. Ah, que bom seria se falar fosse tão simples quanto escrever. O problema é que sinto as cordas vocais me traindo, a face enrubescendo, as palavras chegando desconexas à boca e uma dificuldade em organizá-las fora do comum. Mas não quer dizer que eu não tenha a dizer, talvez tenha tanto que não sei por onde começar. A você, principalmente. E durmo todas as noites com a vontade de chegar pra ti e dizer-te que você é a pessoa a quem dedico todo o meu amor, carinho, afeto, orgulho, admiração... Você é a pessoa mais bonita e mais humana que já conheci. Não meço palavras para dizer a todos os meus amigos ou a qualquer estranho que vejo na rua, o quanto meu pai é especial. O quanto meu pai é um homem íntegro, inteligente, maravilhoso. E sinto meus olhos marejarem sempre que falo em você e você não está lá pra ouvir. Ainda mais por saber que, se estivesse, eu não teria coragem pra falar da forma que falo. Mas não é novidade pra ninguém, nem mesmo pra você, por mais tácita que seja minha maneira de demonstrar esse sentimento. Eu me vejo em você, papai. Você é minha versão melhorada, é o que eu sempre almejei e almejo ser quando eu "crescer". Sabe que, incontáveis vezes, eu paro pra pensar o quanto eu sou sortuda em te ter. Porque mesmo nós dois sendo assim, tão nossos e tão na nossa, eu só preciso do teu silêncio pra te entender. E mesmo eu me queixando da tua superproteção ou da tua maneira de fugir dos assuntos e sempre me deixar sem uma resposta, eu não consigo visualizar uma vida onde você fosse melhor do que já é. Porque você é meu herói, por mais clichê que pareça. Falam que clichês são é verdade, não é? Então, deve ser. Porque o amor que eu tenho por você é imensurável. E mesmo esse meu jeito que vai da timidez ao retardo mental não permitindo que eu chegue pra você e fale tudo isso enquanto eu te abraço, é assim que eu me sinto, até quando estou emburrada e dizendo que ninguém me entende. Porque mesmo que eu me sinta incompreendida, eu te entendo. Eu entendo a tua preocupação e me sinto lisonjeada por ser dona dela. E, acredite, toda a minha ânsia de fazer as coisas da melhor maneira, são pra te orgulhar, pra te alegrar... Para que eu seja capaz de retribuir pelo menos um terço de toda a alegria e orgulho que o senhor me proporciona. Obrigada por parecer tanto comigo e ainda assim tentar ser paciente. Eu te amo muito, e essa é a maior certeza que eu tenho na vida.
terça-feira, 17 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim...
quinta-feira, 12 de julho de 2012
To wish, to smile, to wait
Era uma quarta-feira à noite quando Luísa decidiu sair para tomar um café. Por inocência ou descaso, esquecera completamente que aquele era o dia onde os brasileiros que não tinham com o que preencher o tempo e/ou a cabeça, saiam para assistir o futebol semanal e fazer barulho nas ruas. Mal precisou chegar à esquina para ver que não tinha feito tão bom negócio quanto pensou que fizesse. Estava tranquila, de verdade. O que queria dizê-la, mais que qualquer outra sensação, que precisava pensar. E gostava do silêncio. Pra pensar, primeiramente. Lembrava-se de um vídeo científico que havia visto havia poucos dias, que, num trecho específico, dizia, em síntese, que podemos enxergar de duas formas: com os olhos, o que chamamos de visão; e com o cérebro, o que chamamos de imaginação. Aquilo se manteve em sua mente por um tempo e não saiu da sua cabeça durante toda aquela quarta. Luísa só queria sentar sozinha, na mesa do canto, tomar seu café sem açúcar, refletir um bocado e enxergar com o cérebro. Agradeceria se os apaixonados por esporte a permitissem realizar esta pequena façanha. Queria tanto que, mesmo considerando essa última análise improvável, seguiu caminho. Foi a pé, gostava de caminhar, era perto, não havia perigo. No mais, sentia-se saindo diretamente de um filme do Woody Allen, quando colocava as mãos dentro do bolso do casaco e seguia com aquele ar de mistério a algum lugar que as pessoas não seriam capazes de supor. Brincava muito com isso, consigo mesma. Talvez por ter a mania de observar demais, sempre acreditava, no fundo, que havia alguém a observando. Estava certa, algumas vezes, noutras, nem tanto. Naquele dia, ela era só mais uma pessoa nas ruas, por mais que com um propósito diferente. Quinze minutos depois, ela estava abrindo a porta do café e constatando que encontrar a paz seria mais fácil do que supôs. Sentou, abriu seu exemplar de Cartas Chilenas (livro que sempre começava, mas sempre deixava por terminar) e sorriu. Não demorou também a perceber seus pensamentos se dispersando, atravessando milhões de atmosferas e depois voltando para um mesmo lugar, o de sempre. Luísa sorria. Assustada, mas sorria. Sentia-se tão perdida na sua leitura quanto Paris Hilton se sentiria ao ler algum dos escritores malditos, então decidiu fechar o livro por ali. Logo após fazer o pedido ao garçom, decidiu que ficaria apenas onde estava, levemente encostada à parede do lado, sentindo-se abraçada pelo estabelecimento, literal e figuradamente, pensando e supondo, os dois gerúndios que mais gostava e também os mais perigosos. E continuou sentada, vendo algumas coisas com mais clareza, buscando clarear outras... nem sempre obtendo sucesso. Quando alguma de suas ideias a desconfortava, era fácil voltar àquele lugar e enxergar tudo claro de novo, como se a solução estivesse sempre à sua frente. Doíam-lhe, algumas suposições. Mas Luísa sempre foi deveras pessimista, tentava encarar os fatos e as suposições com outros olhos agora, nem sabia se era uma boa ideia, mas a estava confortando tanto, que mesmo que não fosse certo depois, só a premissa de parecer certo agora já lhe era suficiente. E então percebeu que, não era só quando pensamentos ruins lhe tomavam que ela voltava àquele lugar. Era sempre. A cada ponto final que se desse em sua mente, ela voltava para lá. Então, sorriu ainda mais, com uma sinceridade indiscutível. E continuou mexendo a colherzinha no seu café enquanto sorria e mantinha aquele semblante de paz que tão raramente era capaz de possuir. Estava contente, Luísa. Com medo e contente. Um passo por vez. Era mesmo melhor que ainda tivesse receio... A noite havia sido agradável, fizera um bom negócio em não desistir de sair de casa. Levantou e foi até o caixa. Quando terminou de pagar, o rapaz que seria o próximo a ser atendido a falou: “É um moço de sorte, ele. Dá pra ver no seu sorriso que é um moço de sorte.”. Luísa deu-lhe um sorriso de retribuição e saiu. Ao fechar a porta de vidro, que agora ficava para trás, e caminhar apressadamente de volta à sua casa, a menina pensava, incansavelmente: é um moço de sorte, ele. Dá pra ver no meu sorriso que é um moço de sorte.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Nosso
É caso de loucura. De insanidade mesmo, de perder a razão, de se preocupar despreocupando. É de não saber como agir, se agir, o que dizer, se dizer, ou o que pensar e, ainda assim, fazer todo o sentido. É de duvidar e acreditar ao mesmo tempo, na mesma proporção, na mesma intensidade, inteiramente. De chorar e de sorrir. De não saber sequer se existe um “nós”, ou só “eu” e “você”, separados e subjetivos, devido à fuga do coletivo dada por um dos lados, mas ainda ser de planejar. O tempo todo. Do mais complexo ao mais banal. Do fim de semana ao fim da décima vida. É de perder o juízo cada segundo um pouco mais. É de encher a cabeça, de encher o coração, de esvaziar, reencher e encher a cara cada vez que doer. É de esperar, principalmente. De usar do autocontrole, de buscar uma paciência que nem sei se tenho , num lugar que nem sei se existe, de comandar impulsos involuntários e incontroláveis. De se arrepender e de supor. Supor como seria se eu tivesse feito diferente, se você tivesse feito diferente, supor como será do jeito que fizemos... E de supor se terá oportunidade de ser. De torcer, também. Pra que seja, especialmente. De querer compreender, de querer se fazer compreendida, mesmo que não seja uma questão de compreensão apenas. É de mim, sabe? Do jeito mais sincero e maluco que eu posso ter. É do meu afeto, tão perdido e imperfeito quanto eu, completamente louco de vontade de ser teu.
domingo, 1 de julho de 2012
He left no time to regret
Completamente perdida. Duas palavras formando um significado que definia com exatidão os últimos dias da menina. Não sabia para que lado andar, se é que devia andar. Não sabia se devia permanecer ali, inerte, por mais que doesse a angústia da espera. E se as coisas não mudassem sozinhas? E se precisasse mesmo de alguma conduta ativa para que tudo voltasse aos trilhos? Só o movimento de rotação da terra não parecia ser suficientemente forte para fazer tudo voltar ao lugar. Ela não parecia, inclusive, ser suficientemente forte pra tomar alguma decisão relevante. O tempo havia se arrastado de uma forma que seu desgaste físico e emocional era notório. Fazia com que se lembrasse de um poema que havia lido pouco antes de ter agido com inconsequência o bastante para fazer tudo desandar. Sylvia Plath, como de praxe:
"What did my fingers do before they held him? What did my heart do, with its love?"
E agora era tudo diferente... Agora tinha que lutar para reconquistar cada espaço que se fazia vago, cada vírgula da história que ainda deveria ser escrita. Queria encontrar canetas. Mas o outro parecia escondê-las. Luísa estava incerta, incoerente, buscando as suas antigas dúvidas enlouquecidamente. Tudo fugia. O chão sumia, o ar parecia mais denso. Era uma sensação inédita e frustrante. O pior ainda era saber que não havia próximo passo a ser dado, a não ser dar ao relógio oportunidade de girar seus ponteiros.
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